Resenha: A carismática comédia Love Hina

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Love Hina, comédia romântica publicada na revista Shonen Magazine semanal de 1998 a 2001, é uma das obras mais famosas de Ken Akamatsu e foi bastante popular no Brasil, a ponto de ter sido lida pela maioria dos fãs de mangá do país. Como logo surgem imitações de qualquer obra que consiga fama, o sucesso de Love Hina acabou gerando um boom de mangás de harém nos quais um protagonista perdedor se vê subitamente rodeado de mulheres que se apaixonam por ele sem motivo aparente. Mas seria Love Hina culpado verdadeiro pelas tantas comédias românticas medíocres que se veem por aí

Entrando na Pensão Hinata

Keitaro Urashima: um perdedor. Mas ele não tem a menor intenção de continuar assim...

Keitaro Urashima: um perdedor. Mas ele não tem a menor intenção de continuar assim…

Para quem não sabe (e é bom saber), Love Hina conta a história de Keitaro Urashima, um garoto de 19 anos que já falhara duas vezes no processo admissional da Univerdade de Tóquio, um dos mais difíceis do país. Determinado a entrar na universidade, Keitaro resolve sair da casa de seus pais e morar na pensão de sua avó. Mas, ao chegar lá, Keitaro descobre que agora a pensão é exclusivamente feminina, e sua chegada sem cerimônias causa uma péssima impressão nas moradoras de lá.

É muito interessante ver as transformações pelas quais Keitaro passa ao longo do mangá. Ele começa a história desempregado e odiado pelas mulheres, e termina como um bom partido que arrasa corações. Mas não é sem motivo: Keitaro passa longe de ser uma pessoa acomodada, e ao longo da série cria um grupo de estudos, arruma um bico, aprende artes marciais, faz serviços domésticos na pensão e até viaja para o exterior para trabalhar. Nesse intervalo, a função de protagonista é temporariamente assumida por Naru Narusegawa a principal moradora da pensão, mas Keitaro volta para continuar se desenvolvendo como personagem.

"Olá, levei uma surra da vida, mas agora já estou bem."

“Olá, levei uma surra da vida, mas agora já estou bem.”

Um garoto, mil garotas

pickupA ideia básica de Love Hina (confirmada pelo próprio autor em uma entrevista para o guia Love Hina Infinity) é agradar todos os leitores que gostariam de viver juntos com várias garotas atraentes. E as garotas de Love Hina tem personalidades bem diferentes umas das outras, para agradar a todos os gostos, por mais que seja impossível discutir que o posto de garota principal pertença a Naru.

E é muito fácil encontrar sósias das garotas da Pensão Hinata em mangás de qualidade duvidosa. De fato, isso é até natural. Antes de Dragon Ball, por exemplo, a norma para mangás de ação era ter protagonistas robustos de rostos realistas. Akira Toriyama conseguiu fazer sucesso com um mangá de ação cujo protagonista tinha um design mais adequado para mangás de comédia. E o que mais existe hoje são cópias de Goku: personagens não muito espertos que riem em situações perigosas e comem demais. Mas isso não é fórmula garantida de sucesso: o que conta é como o autor consegue lidar com um personagem assim.

ichigo 100É preciso dizer que Love Hina não foi pioneiro nos mangás de harém: Video Girl Ai, de Masakazu Katsura, já contava com um time de garotas rodeando um protagonista (que não tinha metade da ambição de Keitaro) em 1990. Ou, na área da comédia, tivemos Ranma Saotome e suas três noivas desde 1987 em Ranma 1/2. O impacto da série foi grande. A personagem Motoko Aoyama teve vários clones em forma de mulheres com atitude briguenta, ou, em casos mais descarados, com espadas de samurai. E Shinobu Maehara teve suas cópias em forma de garotas que tem paixão platônica por um garoto mais velho.

Isso tira algum valor da série? Faz de Love Hina um mangá ruim? Isso é equivalente a perguntar se Evangelion teve sua qualidade abalada com as mil clones de Asuka e Rei (e Shinji também) que vemos em séries meia-boca por aí.

Para a frente

No fim das contas, mesmo sem se levar a sério nem um pouco sequer, Love Hina é um mangá que distribui pequenas lições de vida: se você quiser algo, corra atrás; se você não conseguiu, tente diferente para não falhar de novo; estude se quiser passar no vestibular; chame um amigo para sair se quiser se socializar; trabalhe se precisar de dinheiro; compre um presente para agradar a alguém; tire férias para esfriar a cabeça; use filtro solar. A moral poderia ser “tranque-se em casa e vire hikikomori, é legal” ou “espere as coisas darem certo por você, dá certo e atrai a mulherada”. Mas não é isso o que Keitaro Usashima faria.

Love Hina foi publicado no Brasil pela Editora Jbc a partir de 2002, no extinto formato meio-tanko. Ele voltou a ser publicado em abril de 2013, mas desta vez em formato tankobon.

Você fez por merecer.

Você fez por merecer.

Por BuffetDance

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7 comentários em “Resenha: A carismática comédia Love Hina

  1. Sinceramente, não ia comprar esse mangá, mas depois do seu review vc conseguiu me fazer mudar de ideia, parabéns!

  2. Eu ouvi falar desta serie nos blogs da vida mas nunca me interessei realmente por ela, até hj ao ler isto.
    Amanhã msm vou atrás dos mangás que ja foram publicados a fim de completar uma coleção..

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