Trajetória: Naoshi Komi antes de Nisekoi

doublekoi

O mangá Nisekoi, famosa comédia romântica publicada há pouco mais de um ano na Shonen Jump, parece ter caído no gosto dos japoneses. Seu autor, Naoshi Komi, era alguém por quem a Shueisha tinha grandes expectativas desde que seu one-shot Island ganhou um dos prêmios de novatos da editora em 2006, quando ele ainda tinha apenas 20 anos.

Um arquipélago de ideias

Island

Island acabou sendo a primeira obra publicada do autor, saindo em 2007 na edição de inverno da Akamaru Jump (atual Jump NEXT!). Com uma premissa fantasiosa interessante, era protagonizado por duas garotas que moravam numa vila cercada por muros gigantescos que não permitiam que se enxergasse o mundo exterior. Island é um belíssimo one-shot, com metáforas sobre sonhos, desiluções, esperanças e a transição para a fase adulta. Sua força foi bastante elogiada por Akira Amano, autora de Katekyo Hitman Reborn!, que julgou a obra quando ela concorria com outros mangás de autores novatos.

Ainda em 2007, Komi fez sua estreia na revista Shonen Jump com o one-shot Koi no Kami-sama (O Deus do Amor, em tradução livre). Essa divertida comédia romântica era protagonizada por Taichi Tsuchibe, um garoto viciado em mangás shoujo que se apaixonava por toda garota que conhecia, mas nunca havia tido uma namorada. Um dia, uma garota nova entra para sua classe, mas Taichi tem grandes dificuldades em se aproximar dela, devido a eventos aparentemente aleatórios que o atrapalhavam. Taichi descobre que essa garota era amada pelo próprio Deus, que impedia que qualquer garoto se aproximasse dela, mas ele fica ainda mais motivado a ficar com ela e resolve enfrentar todo tipo de obstáculo divino. O clima escolar de Koi no Kami-sama lembra um pouco Nisekoi, especialmente pelo fato de um dos amigos de Taichi ser parecido com o personagem Shuu.

WilliansAinda em 2007, Komi escreveu um one-shot para a edição 49 da Jump. Com o título Williams, a história de passava num mundo ainda não totalmente desbravado, onde aventureiros viajavam como na época das grandes navegações. Os livros de aventura eram bastante populares, e um garoto chamado William estava determinado a descobrir se a história de Aradoff Hopkins, um herói por quem era obcecado, era real. Apesar do protagonista não muito simpático, Willians mostrava que Komi tinha potencial para escrever histórias de fantasia e criar vastos mundos ficcionais.

Double Arts e a surpresa

Double Arts1

Em 2008, estreou na Shonen Jump o mangá cuja história já vinha sendo planejada por Naoshi Komi desde que ele ainda era um estudante do fundamental. Uma daquelas histórias que você inventa quando é criança e cria mil aventuras para o seu personagem. Komi teve a oportunidade de transformá-la em mangá e não quis desperdiçar. Double Arts acontecia num mundo vasto de fantasia medieval. Nele, uma doença chamada troy tirava a vida de várias pessoas. Alguém que fosse contaminado com troy sofria por algum tempo e depois morria sem deixar vestígios. E era sempre uma morte solitária, pois o troy era contagioso com o mínimo toque.

Porém, existia uma irmandade formada por garotas de grande resistência que tinham o dom de absorver o troy das outras pessoas, sendo assim as únicas pessoas capazes de tratar a doença e adiar a morte. Essas garotas eram portadoras da doença, e o estilo de vida que levavam não permitia que elas vivessem por muito tempo. A protagonista da história se chamava Elraine, e fazia parte dessa irmandade. Um dia, depois de realizar uma sessão de tratamento, Elraine começa a passar muito mal e percebe que está à beira da morte.

Double Arts2

Ela é amparada por um garoto chamado Kiri, e os dois logo descobrem que Elraine permanece perfeitamente saudável quando toca nele. A dupla parte em viagem para a catedral principal da irmandade, onde Kiri será usado em pesquisas para a cura definitiva do troy, mas uma organização do mal quer impedir isso a qualquer custo por motivos misteriosos.

Double Arts apresentou várias ideias interessantes de diversas maneiras. De fato, a vontade do autor querer escrever tudo com riqueza de detalhes e num ritmo não acelerado foi o que levou o mangá à ruína. Double Arts foi lamentavelmente cancelado com 3 volumes, com pouquíssimo do enredo desenvolvido. O público da Shonen Jump não teve paciência para esperar a história se desenrolar. Na verdade, uma das personagens que deveria se juntar ao time dos protagonistas não chegou nem mesmo a encontrá-los até o fim do mangá.

Pelos textos de marcador de página nos volumes do mangá, o cancelamento de Double Arts deixou Naoshi Komi extremamente devastado. E os fãs conquistados também.

Novas tentativas

Personant

Pouco tempo depois do cancelamento de Double Arts, em dezembro, foi publicado um one-shot novo de Komi na Jump SQ. Talvez a Shueisha imaginasse que as de Komi fossem mais apropriadas para uma revista mensal, com direito a mais páginas e público ligeiramente mais maduro. O one-shot chamado Personant contava com personagens adultos e se passava no futuro, quando os conflitos da humanidade deixaram de existir desde que as pessoas passaram a usar máscaras de tecnologia avançada distribuídas pelo governo que faziam com que todos tivessem o mesmo rosto vazio. O protagonista era Damore, um rebelde que se recusava a usar sua máscara e por isso era procurado por todos os órgãos públicos.

No começo de 2009, na edição 4-5 da Shonen Jump, mais um one-shot de Komi foi publicado, intitulado Apple. Ele contava a história de Satoshi Aramiya, um homem de aparência comum que na verdade era a forma de vida suprema gerada pelo planeta Terra para deter uma crise iminente. Aramiya era frequentemente atacado por exércitos de diversos países que tinham interesse em usá-lo para ganhar obter controle político. Depois de Apple, Naoshi Komi ficou mais de um ano sem publicar na Shonen Jump.

NisekoiEm 2011, Komi fez seu retorno como mangaká na edição de inverno da Jump NEXT!. Era seu segundo one-shot de comédia romântica, que recebeu o título “Nisekoi“. As confusões que envolviam os protagonistas, Raku Ichijou e Chitoge Kirisaki, agradaram o público. E no mesmo ano Nisekoi virou série, seguindo com força até hoje, já tendo ultrapassado e muito Double Arts em número de capítulos.

O fato de Naoshi Komi ter publicado tantas obras em sequência nas revistas da Shueisha só prova que a editora tinha confiança que ele era destinado a algo grande. É possível que Nisekoi nem mesmo seja o seu limite. No futuro, o nome desse mangaká deve ser reconhecido por todos, quem sabe por alguma grande obra de fantasia, do jeito que ele sempre sonhou escrever.

NisekoiWallpaper

Por BuffetDance

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7 comentários em “Trajetória: Naoshi Komi antes de Nisekoi

  1. Buffet ótimo texto, não conhecia muito Naoshi Komi só leio Nisekoi e confesso que mesmo com alguns defeitos eu gosto muito dessa obra tem uma comedia que não é forçada e me faz relamente rir.. Irei dar uma pesquisada nesse One-Shots dele nem tinha ideia que ele já tentou fazer obras diferentes.

    • Também gosto de Nisekoi, é um mangá eficiente dentro de sua proposta. Mas entendo quem não gosta e acho que o autor poderia ser melhor aproveitado em histórias de fantasia.

  2. De vez em quando fico triste ao ver a situação atual do Naoshi. Island, Williams, o one-shot de Nisekoi: ele é simplesmente MUITO BOM com one-shots. Double Arts, se não fosse a lentidão, poderia ter se tornado um dos melhores mangás de fantasia na Jump recente.

    Eu gosto de Nisekoi, apesar dos apesares, mas quando olho pras outras obras do cara… caramba, ele pode fazer algo tão melhor que isso. É bom saber que ele está se dando bem uma vez, mas está meio que sendo reconhecido por todos os motivos errados. Pena.

  3. Eu gosto muito do Naoshi, lembro que adorei Double Arts e gosto até hoje. O pessoal vive reclamando da lentidão e do ritmo de Double Arts, mas eu gostei demais, não sei se foi porque eu li tudo de uma vez mas não pareceu parado para mim. De repente ele ficaria melhor como mensal mesmo.

    Já li todos os one shots dele faz tempo e realmente espero que ele consiga emplacar algo mais. E só pra comentar algo mais mesmo, o Island pode até ser o mais antigo dele mas ainda é um dos melhores.

  4. Hmmm, legal saber mais sobre a trajetória dele. Uma pena que Double Arts foi cancelado – entendo bem como é o sentimento de passar tanto tempo trabalhando e enriquecendo “aquela” história e acabar sendo rejeitado.

    Nisekoi é um mangá divertido de se ler, apesar de não ser nenhuma obra-prima. Realmente espero que o sr. Naoshi se de bem e conquiste espaço com esse trabalho, pra quem sabe algum dia poder arriscar outra obra de fantasia – quiçá com mais tempo pra ser melhor desenvolvida (sem aquela pressão toda que é feita em cima dos autores novatos).

    Adendo: Curto muito o traço dele, bem simples e bonitinho. As páginas coloridas dele são umas das melhores da JUMP atual, IMO.

  5. Double Arts foi um cancelamento muito presipitado a serie tinha um potencial incrivel,fico feliz q hoje ele tenha conseguido sucesso com Nisekoi mais Double Arts é muito melhor

  6. Nossa, esse cara realmente tem futuro. Fiquemos de olho no que ele vai fazer depois de Nisekoi, que nunca tive interesse em ler.

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