Resenha: Bastard!! – Um pouco de mago e muito de anti-herói

Bastard!! estreou na Shonen Jump semanal em 1988. Em 1990, passou a ser publicado em uma edição trimestral da Shonen Jump, tendo voltado à revista semanal em 1997. Em 2001, a série foi movida para a antologia seinen Ultra Jump, onde continua até hoje. Narra a história de Dark Schneider, poderoso mago das trevas que enfrenta batalhas para proteger o mundo, sem se importar com o quão questionáveis são os seus métodos.

O começo

O poderoso mago finalmente foi solto

15 anos atrás, foi iniciada uma rebelião para quebrar o selo de Anthrasax, a deusa da destruição, com o objetivo de substituir o mundo existente por um outro. Vários reinos reagiram, e a guerra terminou quando Lars, príncipe de Meta Licana, derrotou o líder da rebelião, Dark Schneider, que selou sua própria alma em um bebê. Lars, por outro lado, foi transformado em um filhote de dragão devido aos grandes poderes que empregou durante a luta.

Na época em que o mangá efetivamente começa, a rebelião do exército das trevas está sendo retomada pelos quatro lordes (na verdade, um deles é uma mulher, e portanto “lady”), antigos companheiros de Dark Schneider. Quando um grupo do exército rebelde faz um ataque surpresa ao reino de Meta Licana, a jovem sacerdotisa Yoko se vê sem nenhuma opção para sobreviver a não ser libertar a alma de Dark Schneider. O mago toma temporariamente o corpo do jovem Lucie Renren, amigo de Yoko e também o bebê no qual ele havia sido selado 15 anos antes. Como Dark Schneider tem as memórias de Lucie, ele decide salvar Yoko. Logo DS se torna um grande aliado do exército de Meta Licana.

Este é o personagem por quem você deve torcer. As outras opções são piores.

Nessa primeira parte do mangá, apesar do egocentrismo do protagonista, vários personagens interessantes são apresentados ao leitor. Yoko, mesmo aparecendo em muitas cenas de fanservice, é uma mocinha com conteúdo, e frequentemente demonstra ser um dos personagens mais sensatos. Os quatro lordes rebeldes são um show à parte, sendo que todos possuem personalidades e estilos de luta distintos. Dark Schneider reage sendo um personagem espalhafatoso, empolgante e muitas vezes engraçado, fazendo sempre com que os outros se lembrem de que ele é o protagonista.

A história em si tem seus altos e baixos. As lutas são envolventes e as interações dos outros personagens com o protagonista são divertidas, mas a reação do leitor pode variar ao perceber, por exemplo, que toda vilã irá abandonar os ideais pelos quais lutou a vida inteira depois de ser seduzida (ou além) por Dark Schneider.

A segunda parte

Uma página do volume 27. O uso intenso do computador torna o traço mais interessante.

A segunda parte do mangá acontece durante pleno Armagedom, e consegue ser ainda mais controversa do que a primeira. Os coadjuvantes antigos são deixados de lado, e, mesmo com a introdução de novos personagens, a história se foca em Dark Schneider ainda mais do que antes. O traço melhora consideravelmente e sem parar, consequências das experimentações do autor com o Adobe Photoshop.

O roteiro sofre perdas e ganhos. O mangá falha miseravelmente em suas tentativas de ser engraçado, que infelizmente são constantes. Por outro lado, as lutas ficam ainda mais intensas e emocionantes, desgastando física e psicologicamente cada personagem envolvido, mesmo os que são apenas espectadores. Várias referências à Bíblia são feitas, principalmente ao livro do Apocalipse, o que mostra que Hagiwara também tem feito pesquisas na área da literatura.

Mais ou menos nesse período, Hagiwara conheceu o grupo CLAMP. As personagens passam a ter uma aparência que remete a mangás shojo.

É importante dizer que, nessa segunda parte, a narrativa é extremamente lenta. O autor confia demasiadamente na paciência dos leitores, e às vezes ousa introduzir elementos novos à trama. O fato de ele estar trabalhando paralelamente na versão kanzenban da série pouco ajuda.

Vale a pena ler?

Bastard!! não é recomendável se você for sensível a conteúdo religioso, machista, violento, sexual ou de qualquer outro tipo. O mangá é ofensivo, mas para alguns isso pode até ser considerado um diferencial. Alguém que procure algo distinto e ousado e que não se importe com ritmo pode ter com Bastard!! alguns momentos bastante interessantes.

Bastard!! é lançado no Brasil pela Editora Jbc, tendo alcançado a versão japonesa com o volume 27.

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6 comentários em “Resenha: Bastard!! – Um pouco de mago e muito de anti-herói

  1. FAZ TEMPO QUE PROCURO UM REVIEW SOBRE ESSE MANGÁ. JÁ PROCUREI NA NET PARA BAIXAR MAS NÃO ENCONTRO EM PT EM LUGAR NENHUM. SERÁ QUE ALGUÉM PODERIA ME AJUDAR? QUERIA VER SE VALE MESMOA PENA ANTES DE COMEÇAR UMA BUSCA PELOS NÚMEROS ANTIGOS.

  2. Esse mangá é show, legal mesmo podem comprar, o problema dele por exemplo, eu parei de ler quando ficou pareado com o volume do Japão, acredito que no número 24, isso em 2007. Acabei de ver no site da JBC que distribui o mangá no Brasil e até hoje em 2014 ainda está no número 27. Isso que é desanimador!

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