Resenha: Beck e o caminho da música

Quem nunca sonhou em ter uma banda!?

Beck é um mangá de Harold Sakuichi publicado na Shonen Magazine Mensal no período de 2000 a 2008. Conta a história de Koyuki, um garoto de 14 anos que está quase terminando o ensino fundamental, mas sem muitas perspectivas: não se destaca como aluno, não é bom em esportes e não tem uma namorada ou algum hobby para poder se apoiar. Por mais que ele tenha consciência disso, Koyuki só fica mais desanimado a cada dia que passa.

A grande virada na vida de Koyuki ocorre quando ele conhece Ryuusuke, um jovem guitarrista. De comportamento relaxado a ponto de beirar o irresponsável, ele não poderia ser mais diferente do protagonista. Porém, Ryuusuke simpatiza com o garoto e o introduz ao mundo do rock.
Pouco tempo depois, Ryuusuke briga com o seu principal parceiro de banda, Eiji, e decide criar uma nova banda sob seu comando para seguir o caminho do sucesso. Ele logo recruta Taira, um baixista de aparência rebelde mas comportamento maduro, Chiba, um vocalista sem nenhuma experiência mas muita presença de palco, o próprio Koyuki e por último Saku, o baterista. A banda recebe o nome “Beck”. Ryuusuke vê talento nos outros membros e nada mais do que potencial em Koyuki, que tendo agora um objetivo, passa dar o máximo de si para não decepcionar a expectativa de ninguém.

A estrada longa e sinuosa

Resumidamente, os personagens centrais de Beck tem como objetivo ficar famosos com rock. Apesar de isso poder fazer alguns pensarem que se trata de um Bakuman com guitarras, as obras são bem diferentes. Enquanto Mashiro e Takagi ficavam aflitos com um sexto lugar na Shonen Jump, Koyuki e companhia comemoram a cada vez em que seus dão sinais de se espalharem e serem reconhecidos. Não é que os personagens sejam derrotistas, eles apenas sabem que o caminho para o sucesso é duro, especialmente quando um rosto bonito é mais valorizado do que uma boa canção.

“What can a poor boy do, except to sing for a rock ‘n’ roll band?”

Em meio a uma guerra fria com a nova banda de Eiji, a banda acaba levando as dificuldades a um outro nível ao criar inimizades com pessoas influentes, mas se mantem firme por conquistar aliados importantes por puro reconhecimento. Não seria exagero dizer que certos personagens representam o status comercial do mercado fonográfico e outros representam a vlorização da musicalidade em si.

Por baixo da ponte

O traço de Harold Sakuichi é bastante único, e suas divergências do padrão shonen (se é que podemos dizer que existe um padrão shonen) pode ser visto com estranheza. Porém basta ler por algumas páginas para perceber que o autor é hábil na tinta, quase a ponto se ser possível adivinhar o papel que um personagem desempenhará a partir de seu rosto. Os cenários, instrumentos e outros objetos de cena são bastante detalhados.

O ritmo do mangá não é nem muito lento e nem muito rápido. Muita coisa a contece a cada capítulo, mas nunca a ponto de fazer o leitor se esquecer de algum fato ou rosto. Cronologicamente, o autor fez o possível para que o mangá acompanhasse o tempo real, por isso geralmente arcos longos que se passam em poucos dias são sucedidos por saltos temporais.

Beck não exige conhecimentos de rock para ser apreciado, tampouco vontade de adquirí-los. Porém, é provável que o leitor aprenda uma ou duas coisas sobre o gênero com o passar dos capítulos. As referências são muitas, e servem como um bônus para quem consegue reconhecê-las. O vocalista Chiba foi claramente inspirado em Zack de la Rocha, do Rage Against the Machine, enquanto o baixista Taira é uma versão rejuvenescida de Flea, do Red Hot Chilli Peppers, banda homenageada pelo autor na história fechada Under the Bridge (não confundir com Arakawa Under the Bridge, de Hikaru Nakamura).

Uma referência muito fácil de pegar

Passado o começo da história, cada capítulo e cada volume é aberto por uma ilustração parodiando algum álbum ou clipe colocando personagens da série no contexto, como ilustração que põe Koyuki no lugar do velhinho da capa do quarto álbum do Led Zeppelin ou a imagem acima representando o álbum “Nevermind” do Nirvana.

Balançando cartazes em todo lugar

Beck acabou se expandindo para outras formas de mídia. Um anime produzido pelo estúdio Madhouse (o mesmo de Death Note e da atual adaptação de Hunter X Hunter) foi exibido entre 2004 e 2005, adaptando com competência o mangá até parte do volume 11. Os fãs esperaram ansiosos por uma continuação, mas ela nunca aconteceu.

Um filme com atores foi lançado em 2010 e foi muito bem recedido pela crítica.
Um CD de título “Greatful Sound: Tribute to Beck” foi lançado em 2002 para promover o mangá, mas as músicas contidas não tinham nada a ver com a história em si. O anime conta com duas boas trilhas sonoras, chamadas respectivamente de “Beck: Animation Beck Soundtrack” e “Keith: Animation Beck Soundtrack”. Acompanhando o lançamento do filme, foi lançado um álbum com a trilha sonora oficial, além de uma coleção de músicas que serviram de inspiração para a série, como Don’t Look Back In Anger (Oasis) e All Along the Watchtower (Jimi Hendrix).

Nenhum material de Beck foi lançado oficialmente no Brasil.

Mick Jagger e Keith Richards resolveram montar uma banda em 1960, ao se encontrarem nessa mesma estação. Jagger carregava os mesmos discos que Koyuki, mas não é necessário saber nada disso para perceber o quanto esta cena é especial

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3 comentários em “Resenha: Beck e o caminho da música

  1. Nunca li o mangá,mais já vi o anime.
    É uma ótima série., recomendo ela a todos,e obrigado pela dica do mangá,irei procurar ele e lê-lo com certeza.

  2. Meu mangá e anime favorito, simplesmente perfeita. Os personagens crescem com o tempo, e banda também. E eu ainda queor uma segunda temporada, seja um filme Live Action ou uma segunda temporada do anime, quero muito ouvir as outras músicas e o ver o resto da história. Gosto tanto de Beck que já 3 vezes, mas nunca me canso da história, e sempre me emociono “naquela parte”, na qual todo mundo que leu Beck sabe do que eu to falando. Faça uma review de Hajime no Ippo, que tá em segundo nas minhas listas de favoritos, tanto anime quanto mangá.

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